quinta-feira, 1 de março de 2012

Conforto

à querida Giu

Só acho engraçado
Esse tanto de coisa que a gente nem ri
E acha engraçado

Vejo graça nas histórias
No erro besta que dá certo
No que é feio mas é belo

E vejo graça demais
Não na menina
Mas no jeito todo dela
Como se fosse ela nuance

E vejo graça em seus passos
Seus causos, seus risos
Seus sisos, seus sinais

E nos ossos magros, marginais, das mãos
Na lembrança vermelha dos óculos
Que nem sequer cheguei a ver

Vejo graça nos traços da menina
Seus carinhos tracejados
Ela muito gracejada
Mas a todos rejeitando

Menina de riso
De prosa, de ponta
Menina de tanto e intento
Se lança aos bons ventos
Depois pede calma

É que acho engraçado isso tudo
Falar sobre amor
Amar de verdade um tanto de gente
Nas horas que dá

É que acho engraçado esse medo
Dos palcos que vêm
Do pouco a perder-se no nosso jardim

Como se a menina não visse
Ou as borboletas não viessem
Mas vêm, amarelas, em rimas
Dançando ballet no jardim

Porque não deixa de ser engraçado
Essa tal coisa de amor
Que faz choro, faz arte
E adubo, e saudade

Acho mesmo muita graça
E nada, nada disso passa.

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